
Que bom estou em casa.
Hoje tive alta pelas 10h30, liguei logo para o Pedro me ir buscar, foi tão bom, foi o vencer de mais um capítulo, deste meu livro.
No dia que fiquei internada, estive bem, deram-me um calmante para dormir tranquila.
Pelas 6 horas da manhã já estava acordada, era a primeira cirurgia e tinha que tomar uma banhoca e ser preparada. Tomei mais um calmante, vesti uma camisa da Maternidade, umas meias brancas de descanso e puseram-me a soro (doeu um bocadito), ali fiquei, deitada na maca á espera da hora marcada. Não posso mentir, eu estava tranquila, mas com receio. Eu iria perder o que até à pouco tempo me fazia perder horas a olhar para o espelho, o meu peito direito.
Pouco tempo depois vem a enfermeira que me diz, vamos está na hora, ali me levaram, via as portas abrirem-se e pela última vez vi o Pedro, ele disse-me «amo-te para sempre e estou aqui sempre contigo».
Entrei no bloco operatório, vi uma imensa panóplia de médicos e enfermeiros, levaram-me à sala onde minutos seguintes adormeci. A última coisa que me lembro foi de alguém me tapar eu estava a tremer de frio, deram-me a anestesia e acho que nem um segundo aguentei.
Esperavamos 3 a 4 horas de operação, às 10h ja estava na sala de recobro.
Quando acordei estava tão agoniada, tinha a tensão a 7/4, estava branca como a neve, a minha irmã pediu um chá e bolachas e surpresa das surpresas, comi e bebi tudo, estava esfomeada. No entanto, assim estive todo o dia sem me poder levantar, agoniada e sempre com a tensão muito baixa e próxima.
No dia seguinte levantei-me, novamente às 6 horas e estive um pouco sentada na cama, estava atordoada.
Assim se passaram os meus dias, a minha irma que é enfermeira, foi incansável, todos estes dias, esteve sempre a meu lado, chegava perto das 8h3o e ali ficava comigo, até ás 20h. Foi ela que me deu banho, que me vestiu, que me penteou, que me passou creme, que me fez tudo, como se eu fosse uma criança, nunca lhe poderei agradecer.
Foi uma fase que passou e hoje, dia de Nossa Senhora de Fátima, 13 Maio, eu tive alta.
O meu médico, que sempre me apoiou desde a primeira consulta, que me operou, que sempre me tranquilizou, foi um querido, sempre paciente, sempre carinhoso, ajudou-me a despir de manhã, mandou-me deitar e depois de tirar os drenos (doeu também um bocadinho, mas eu fui forte e aguentei) desinfectou-me e voltou a tapar tudo. Apenas consigo ver que me falta o peito, mas a cicatriz fica para daqui a uns dias. Cada coisa no seu lugar e no seu dia, hoje talvez ainda não fosse aconselhado eu ver, é melhor assim.
Mas ele ajudou-me a vestir o meu soutiãn, moldou-me com uma embalagem nova de algodão, uma nova maminha de algodão, colocou-a com todo o amor dentro do soutiãn e eu vesti a mesma camisa de alças que pensei nunca mais poder vestir.
Estou tranquila, sinto apenas todos os meus músculos que rodeiam o meu peito muito tensos e duros e agora só com a fisioterapia ficarei bem, daqui a 1 mês estarei como nova. Toda a parte que rodeia agora a área operada está dormente, não consigo sentir a minha axila direita, não tem qualquer sensibilidade, mas é mais uma fase passageira.
Aqui estou bem e tranquila, preparada para a próxima etapa, a minha mama foi para análise e mal se saiba o resultado da patologia que eu sofria, iniciarei a quimioterapia adequada ao que tenho.
Um grande beijinhos a todos que comigo se preocupram e que muitos mails me mandaram, sem vocês todos a vida não tem sentido, porque o principal de tudo isto é termos AMIGOS e sentirmos que não estamos sós. Que por dentro continuamos a ser o que eramos e que quem nos rodeia nos ama com a mesma força de outrora.